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19 May 2021, Svetoslav Mladenov, Regional Editor, LATAM

Brasil: Setor Automotivo 2021-2022

O setor automotivo esteve entre as indústrias mais afetadas pela pandemia de COVID-19 e pelas medidas de distanciamento social no Brasil. Embora a produção, as vendas no mercado doméstico e as exportações de veículos devam crescer em 2021, a recuperação do setor será lenta. Além disso, a pandemia acelerou o processo de transformação da indústria brasileira e levou um número crescente de montadoras a mudar suas estratégias de negócios.

A pandemia de COVID-19 derrubou as operações da indústria automotiva no Brasil. A produção, as vendas domésticas e as exportações de veículos registraram quedas anuais de dois dígitos em 2020. Em particular, a produção e as exportações de veículos atingiram o nível mais baixo desde 2003, enquanto as vendas domésticas chegaram ao menor nível em cinco anos.

Em 2021, todos os três indicadores devem se recuperar em linha com o crescimento da economia global e nacional. Porém, a recuperação será lenta e o setor atingirá os níveis pré-pandêmicos não antes de 2022.

A recuperação do setor é altamente dependente da evolução da pandemia de COVID-19 no país. A nova onda de infecções pela doença e as relacionadas medidas de distanciamento social no início de 2021, juntamente com a escassez de chips e outras peças automotivas, levaram várias montadoras a suspender temporariamente as atividades em março e abril de 2021. Além disso, em um cenário de alta incerteza relacionada à economia e uma elevada inflação que reduz o poder de compra das famílias, os brasileiros manterão uma postura cautelosa na compra de um novo veículo.

A pandemia de COVID-19 também acelerou o processo de transformação da indústria automotiva. Em linha com as tendências globais, os consumidores preferem cada vez mais carros de grande porte, como utilitários esportivos (SUVs) e picapes, além de veículos elétricos.

Por outro lado, a indústria automotiva brasileira tem se especializado na produção de carros de passageiros que representaram cerca de 80% da produção nacional de veículos em 2020. Além disso, a indústria apresenta um nível relativamente baixo de competitividade internacional e pouca diversificação das exportações.

A Argentina continua sendo o principal destino das exportações do setor, principalmente graças a um acordo comercial que concede acesso com isenção de impostos a uma determinada cota de veículos provenientes do Brasil.

A queda na demanda interna e externa em 2020 expôs outra fraqueza estrutural da indústria automotiva brasileira – a alta capacidade ociosa, que subiu para 60% em 2020, ante 41,6% em 2019. Isso levou as montadoras a reavaliar suas operações no Brasil e tomar medidas drásticas.

A Mercedes-Benz interrompeu a produção de carros de luxo no país no final de 2020, enquanto a Ford anunciou o fechamento de todas as suas operações de produção de veículos até o final de 2021.

Outras montadoras, entretanto, continuam acreditando no potencial de crescimento do mercado brasileiro de veículos. Em 2020 e 2021, Volkswagen, General Motors e Renault anunciaram grandes planos de investimento para aumentar sua produção de utilitários esportivos, picapes e veículos elétricos no Brasil.

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Fonte original: EMIS Insights - Brazil Automotive Sector Report 2021-2022
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