Seg, 02/14/2022 - 22:01 ,Miguel N. Correa, Research Analyst, Latin America

Brasil Setor Bancário - 2022/2023

O setor bancário brasileiro teve um desempenho bastante bom em meio à pandemia da Covid-19, preservando sua liquidez e até mesmo expandindo sua base de clientes. No entanto, as perspectivas macroeconômicas do país ameaçam a retomada estável do setor.

A inflação e as taxas de juros aumentaram e devem permanecer altas, enquanto o crescimento do PIB deverá ser marginal. A pesquisa Focus divulgada no final de novembro, que monitora as expectativas dos principais participantes do mercado financeiro do Brasil, estima que o PIB real do país crescerá 4,8% ano a ano em 2021.

Contudo, pressões inflacionárias ameaçam a recuperação econômica. Em outubro de 2021, a inflação de 12 meses atingiu 10,7%, excedendo em muito o teto de 5,25% da meta de inflação do banco central. As expectativas de mercado da pesquisa Focus apontam uma inflação persistente até o final de 2021, que se estenderá até 2022.

Para combater a crescente inflação, o banco central elevou a taxa básica de juros Selic por sucessivas reuniões, chegando aos 7,75% no final de novembro. A autoridade monetária também anunciou um aumento de mais 1,5 pp antes do encerramento de 2021. A aceleração da taxa de inflação e o consequente aperto da política monetária reduziram as perspectivas de crescimento econômico do país, visto que a expectativa de crescimento do PIB real é de apenas 0,6% ano a ano em 2022, de acordo com a pesquisa Focus.

A piora das perspectivas macroeconômicas do país é baseada, em parte, em fatores externos, como a ruptura global da cadeia de suprimentos, provocado pela pandemia da Covid-19, que vem pressionando os preços. No entanto, também é digno de nota o impacto da deterioração fiscal para o agravamento deste cenário.

A última proposta de orçamento do Poder Executivo mina os limites de despesas do governo, quebrando o que é conhecido como "regra fiscal de ouro" de não gastar mais do que a receita gerada por impostos e outras receitas recorrentes. O orçamento pressupõe avanços na reforma tributária, que tramita no Senado, e que deverá ser aprovada antes do final de 2021.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmaram que o governo romperá com seu 'teto de gastos' – que proíbe novos gastos discricionários, permitindo apenas uma correção com base no IPCA – em favor de um novo programa de assistência social, o 'Auxílio Brasil', que amplia e prolonga o antigo 'Bolsa Família', um pagamento para famílias abaixo ou próximos da linha de pobreza.

A realidade fiscal fez com que os custos da dívida pública aumentassem, já que o rendimento dos títulos brasileiros de dez anos subiu de 9,11% no final de junho de 2021 para 11,66% no final de novembro. No geral, as atuais condições macroeconômicas são prejudiciais para o desempenho do setor bancário, uma vez que a demanda por crédito tenderá a diminuir com a desaceleração da atividade econômica e o aumento dos custos do crédito.

No entanto, os bancos emergiram da pandemia mais fortes, com forte capitalização e baixas taxas de inadimplência. Além disso, a pandemia da Covid-19 permitiu a proliferação de serviços financeiros por meio de canais digitais. Os bancos brasileiros possuem uma posição microeconômica forte, mas um ambiente macroeconômico desafiador no horizonte.

 

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Original source: EMIS Insights
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