Qui, 09/23/2021 - 12:53 ,Miguel N. Correa, Research Analyst Latin America

BRASIL: SETOR DAS FINTECHS 2021/2022

Embora o setor das Fintechs tenha crescido de maneira notável nos últimos anos, estas instituições ainda não capturaram uma participação relevante do mercado brasileiro de crédito e serviços financeiros.

O sistema financeiro do país está fortemente concentrado nas mãos de algumas instituições tradicionais, criando ineficiências de intermediação de crédito e dificultando a inclusão financeira.

No final do terceiro trimestre de 2020, as fintechs supervisionadas pelo Banco Central do Brasil detinham apenas 2,4% do total de ativos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e produziam somente 1,1% do lucro total do SFN. Assim, a relevância das fintechs no sistema financeiro brasileiro permaneceu pouco significativa em 2020.

As fintechs, no entanto, conseguiram criar novas ferramentas para enfrentar obstáculos financeiros já existentes. Muitas fintechs que operam no Brasil não estão reguladas pelo banco central porque optam por prestar serviços a participantes do SFN, ao invés de atuar como intermediários financeiros. A Associação Brasileira da Fintechs (ABFintechs) — em colaboração com a consultoria internacional PwC — reportou no estudo Fintech Deep Dive 2020 que cerca de 74%, de uma amostra de 148 fintechs, utilizam Interfaces de Programação de Aplicações (APIs), seja como um serviço ou como uma ferramenta para fornecer serviços.

As APIs são uma peça prática de software que permite às aplicações digitais interagir entre si. Para as fintechs, as APIs são fundamentais, pois possibilitam o uso de soluções know-your-customer (KYC) e criam novos usuários para plataformas próprias ou de terceiros.

Além disso, de acordo com o Distrito (um reconhecido hub de inovação localizado no Brasil), as fintechs incrementaram significativamente sua exposição a tecnologias de ponta como Inteligência Artificial (IA). De 2015 a 2020, o número de fintechs que usam ou oferecem serviços de IA aumentou 350%, de acordo com as estimativas do Distrito.

As fintechs promovem mudanças dentro do mercado financeiro através de inovações em técnicas tradicionais para resolver problemas. No entanto, elas ainda não tornaram-se — como alguns participantes do mercado acreditavam — concorrentes relevantes dos bancos tradicionais. O Distrito classificou as fintechs de desenvolvimento tecnológico como o segmento do setor que mais expandiu-se em 2019, crescendo 133,3% ano a ano. Esta tendência indica que — em vez de competir com grandes players — as fintechs parecem estar mais dispostas a entrar no mercado financeiro como fornecedoras de soluções digitais para instituições financeiras já estabelecidas.

Em termos de inclusão financeira, as fintechs podem aumentar o número de canais de distribuição que as instituições financeiras utilizam para oferecer seus serviços. A eficiência do SFN também melhorou através das abordagens tecnológicas que as fintechs deram à intermediação financeira. Porém, até o final do terceiro trimestre de 2020, as fintechs ainda não representavam uma solução escalável para os elevados custos de crédito no Brasil.

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Original source: EMIS Insights
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