Sex, 09/24/2021 - 14:44 ,Fernando Marques, ResearchAnalyst, América Latina

EMIS Insights - Brasil Setor de Transportes 2021-2022

Menos passageiros, mais carga. O desempenho do setor de transportes do Brasil durante o primeiro ano da COVID-19 refletiu precisamente o impacto geral das medidas de distanciamento social.

As pessoas em casa foram às compras online, o que manteve os serviços de delivery e entrega ocupados.

Por outro lado, o medo do contágio e as possibilidades de trabalho remoto diminuíram o faturamento do setor de transportes urbanos.

Na medida em que a segunda onda de contágio pela COVID-19 chegou ao Brasil no começo de 2021, também aumentaram as dúvidas sobre a resiliência operacional e financeira do setor de transportes.

As companhias aéreas com dificuldades de caixa não encontraram apoio suficiente do governo federal. As pessoas passaram a evitar viagens de lazer em ônibus intermunicipais, uma vez que a crise sanitária trouxe uma preocupação maior com as condições de limpeza dentro do transporte coletivo e com o elevado risco de contaminação.

A política pouco ajudou. Governadores, prefeitos e o executivo federal entraram em conflito sobre medidas de distanciamento, auxílio emergencial e alocação de recursos. O tesouro federal permanece pressionado pelas demandas do empresariado e da população.

É provável que uma nova rodada do auxílio emergencial não seja suficiente para reativar a atividade doméstica. As perspectivas para o setor externo são mais otimistas, devido ao desempenho excepcional das exportações do agronegócio. Porém, a escassez global de contêineres – agravada pelo incidente no Canal de Suez – pode tornar ainda mais evidentes os gargalos de infraestrutura do país.

O sucesso do programa de concessões é crucial para prevenir um apagão logístico. Nesse sentido, os esforços do Ministério da Infraestrutura (MI) são dignos de nota. De alguma forma, as atividades do ministério têm permanecido distantes das disputas políticas no país e uma agenda consistente de concessões foi entregue em 2020.

Há uma expectativa de redução no preço dos fretes, devido a algumas melhorias rodoviárias, contudo, a desvalorização cambial não permitiu reduções maiores frente ao aumento dos preço do óleo diesel. Os custos dos combustíveis e peças – principalmente devido à mudança global nas cadeias de suprimento da indústria siderúrgica – inquietaram os caminhoneiros mais uma vez.

O presidente Bolsonaro atendeu as demandas dos motoristas por preços mais baixos de combustíveis e pneus, o que deixa incerto até que ponto tais pressões podem afetar o andamento da economia brasileira.
 

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Original source: EMIS Insights
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