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18 Dec 2020, CEIC Insight

O boom imobiliário no Brasil durante a pandemia

A eclosão da pandemia do COVID-19 está redesenhando o setor imobiliário do Brasil. Pessoas que antes atraídas pelas grandes cidades agora buscam oportunidades longe dos agitados conglomerados urbanos. Um total de 13.438 imóveis foram vendidos no Brasil em setembro de 2020, o melhor desempenho mensal desde 2014. O aumento da demanda resultou em elevação de preços e o índice Fipe-Zap registrou um crescimento anualizado de 3.2% em outubro para 133,29 pontos, o maior nível desde 2008. O índice Fipe-Zap é uma iniciativa conjunta entre a plataforma eletrônica Zap Imóveis e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe).

 

Os números positivos do setor contrastam com o desempenho frágil da economia do país. Em setembro de 2020, a taxa de desemprego alcançou 14,6%. Além disso, 50,5% da população ativa não tinha nenhum tipo de ocupação em junho de 2020. Em 2019, quase dois terços da força de trabalho estava empregada no setor de serviços, cujo produto interno apresentou uma queda anualizada de 9,7% no segundo trimestre de 2020. Ainda, as projeções compiladas pelo Boletim Focus do Banco Central do Brasil (BCB) sugerem que o PIB deve contrair 4,8% no ano.

 

Porém, as incertezas da economia não parecem ser um obstáculo para a mudança nas preferências dos consumidores. Segundo a startup imobiliária Newcore, a procura por imóveis nas regiões centrais da cidade de São Paulo caiu pela metade durante a pandemia e representou apenas 2,7% da demanda total da empresa em maio de 2020. Entre maio e setembro, o número de pessoas trabalhando de casa no Brasil alcançou uma média de 8,5 milhões, uma mudança no estilo de vida que levou as pessoas a reconsiderar suas preferências sobre os espaços para morar e trabalhar. Um levantamento conjunto da consultoria de recursos humanos Talenses e a Fundação Dom Cabral mostrou que sete de cada 10 profissionais consideraram sua produtividade como “muito alta” enquanto trabalharam de casa e 74% indicaram um aumento do número de tarefas em que estiveram envolvidos em agosto de 2020.

 

 

Fonte original: CEIC Insight
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