Qua, 09/28/2022 - 17:45 ,Jose Antunez, Research Analyst, Latin America

Setor de Petróleo e Gás Brasileiro 2022/2023

A indústria de petróleo e gás como a conhecemos está com os dias contados. Cada vez mais, grandes multinacionais de petróleo e gás vêm implementando programas para reduzir suas emissões de carbono, abandonando projetos controversos e até mesmo impedindo novos esforços exploratórios. Esta transformação já impactou o Brasil e deve continuar fazendo isso.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (COP26), que ocorreu em novembro de 2021 na Escócia, foi um dos principais eventos do ano. Sua conclusão, o Pacto Climático de Glasgow – uma continuação do Acordo de Paris de 2015 – por pouco não levou ao fim dos subsídios aos combustíveis fósseis. Uma intervenção tardia dos emissários da China e da Índia retirou esse item do documento final. Apesar disso, o pacto soma-se a uma série de eventos que sinalizam uma profunda mudança no setor.

De acordo com o jornal brasileiro O Globo, o fracasso percebido da 17ª licitação de concessão de hidrocarbonetos foi causado principalmente por questões ambientais. O leilão, realizado em outubro de 2021, recebeu apenas cinco lances para os 92 blocos em oferta, a menor taxa de sucesso de qualquer rodada anterior. Desde o seu anúncio, o processo licitatório tem sido fortemente criticado por ativistas ambientais, pois algumas áreas estão localizadas perto de santuários de vida selvagem e de áreas protegidas.

O processo de concessão chegou a ser denunciado perante os tribunais brasileiros por algumas partes, incluindo o governo local do estado de Pernambuco, por não realizar uma análise completa do impacto ambiental. Enquanto uma decisão do Supremo Tribunal Federal do Brasil negou qualquer irregularidade da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), os resultados da licitação mostraram que as questões ecológicas podem agora ser uma preocupação interna para as empresas que desejam entrar no setor brasileiro de petróleo e gás, independentemente de sanções ou regulamentações.

Em linha com isso, em outubro de 2020, a BP, produtora líder mundial de petróleo e gás com sede no Reino Unido, cedeu a operação de seu bloco FZA-M-59 na bacia offshore da Foz do Amazonas para a Petrobras, alegando que o risco ambiental do projeto era grande demais para a empresa. Anteriormente, em setembro de 2020, a multinacional francesa Total devolveu cinco contratos exploratórios na mesma bacia pelos mesmos motivos. Além disso, grandes multinacionais como a BP, a norueguesa Equinor e a portuguesa Galp (presente no Brasil através da sua subsidiária Petrogal) comprometeram-se a cessar as atividades de exploração de hidrocarbonetos a curto prazo, e a principal produtora do país, a estatal Petrobras, comprometeu-se a cortar suas emissões líquidas até 2030, investindo cerca de US$ 2,8 bilhões para esse objetivo.

Esses movimentos podem sinalizar que a produção de petróleo bruto finalmente atingiu seu pico ou está muito perto de fazê-lo. Como o Brasil espera continuar aumentando sua produção nas próximas décadas, terá que conciliar a agenda ambiental com seus objetivos macroeconômicos e os ideais dos líderes do país – o presidente Jair Bolsonaro já manifestou fortes divergências com grupos ambientalistas locais e estrangeiros no passado sobre a floresta amazônica, mudanças climáticas e outras questões.

Este conteúdo é parte do relatório  EMIS Insights Brazil Oil and Gas Sector Report 2022/23. Se você precisa de mais informações sobre este e outros setores, clique aqui e solicite uma demo para um de nossos especialistas.

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Original source: EMIS Insights Brazil Oil and Gas Sector Report 2022/23
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